Dhyana (Meditação)

Dhyâna (“meditação” ou “contemplação”), técnica fundamental em todos os caminhos do Yoga. O Bhagavad-Gîtâ (12.12) põe a meditação acima do conhecimento intelectual, e o Shiva-Purâna (7.2.39.28) a considera superior a qualquer peregrinação, ascese (tapas) ou rito de sacrifício. Como diz o Garuda-Purâna (222.10):”A meditação é a mais elevada virtude. A meditação é a mais elevada ascese. A meditação é a mais elevada pureza. Por isso, tenha gosto pela meditação.”

No caminho óctupulo do Yoga Clássico, a meditação precede o êxtase (samadhi). Patanjali, no Yoga-Sûtra (3.2), a define como o “fluxo unidirecional” (eka-tânatâ) de “idéias apresentadas” (pratyaya) a respeito do mesmo objeto de concentração. Como tal, a meditação é uma continuação ou aprofundamento natural da concentração (dhâranâ). O Yoga-Sûtra (1.39) afirma que qualquer objeto pode ser transformado em apoio para o processo meditativo, embora o Patanjali-Rahasya (1.39) excetue os objetos proibidos, como por exemplo uma mulher nua.

A meditação efetua a restrição (nirodha) dos cinco tipos de “flutuação” (vritti) da consciência mencionados por Patanjali. No entanto, o Kûrma-Purâna (2.11.40) equipara a meditação a um “contínuo de flutuações” (vritti-samtati, sendo que a atenção repousa num loco específico, sem ser interrompida por outras flutuações. A meditação é caracterizada por um alto grau de inibição sensorial (pratyâhâra). O Mahâbhârata (13.294.16) descreve assim o yogin que medita:”Ele não escuta; não sente cheiro nem gosto; não vê, não sente o toque; do mesmo modo, a mente pára de imaginar. Ele nada deseja e, como uma tora de madeira, não pensa. Então, os sábios o chamam de “jungido” (yukta), “aquele que alcançou a natureza (prakritim âpannam).”

Copiado da Enciclopédia de Yoga, de Georg Feuerstein.

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