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Homens Divinos

Houve um tempo em que todos os homens eram deuses. Mas eles abusaram tanto de sua divindade que Brahma, o criador supremo, tomou a decisão de lhes retirar o poder divino. Resolveu então escondê-lo em um lugar onde seria absolutamente impossível reencontrá-lo. O grande problema era encontrar um esconderijo. Brahma convocou um conselho dos deuses menores, para juntos resolverem o problema.
- Enterremos a divindade do homem na terra, foi a primeira ideia dos deuses.
- Não, isso não basta, pois o homem vai cavar e encontrá-la.
Então os deuses retrucaram:
- Joguemos a divindade no fundo dos oceanos.
Mas Brahma não aceitou a proposta, pois achou que o homem, um dia iria explorar as profundezas dos mares e a recuperaria. Então os deuses concluíram:
- Não sabemos onde escondê-la, pois não existe na terra ou no mar lugar que o homem não possa alcançar um dia.
Brahma então se pronunciou:
- Eis o que vamos fazer com a divindade do homem: vamos escondê-la nas profundezas dele mesmo, pois será o único lugar onde ele jamais pensará em procurá-la.
Desde esse tempo, conclui a lenda, o homem deu a volta na terra, explorou escalou, mergulhou e cavou, em busca de algo que se encontra nele mesmo.

AS NOVE RESPOSTAS DE UM SÁBIO

Tales de Mileto nasceu em Tebas no ano de 625 a.c. Morreu em Atenas, a 547 a.c., aos 78 anos. Foi um filósofo grego, fundador da escola Jónica, considerado como um dos sete sábios da Grécia . Matemático, astrônomo, e grande pensador, Tales de Mileto percorreu o Egito, onde realizou estudos e entrou em contato com os mistérios da religião egípcia. É atribuída a ele a previsão de um eclipse do Sol, no ano de 585 a.C. Também realizou uma façanha incrível: seu talento matemático era tão incomum, que conseguiu estabelecer com precisão a altura das pirâmides apenas medindolhes a sua sombra. Além disso, ainda foi o primeiro a dar uma explicação lógica para as ocorrências dos eclipses. Se destacou principalmente por seus trabalhos em filosofia e matemática. Nesta última ciência, lhe atribuem as primeiras “demonstrações” de teoremas geométricos mediante o raciocínio lógico e, por isto, o consideram o Pai da Geometria. Foi o primeiro a sustentar que a Lua brilhava por reflexo do Sol e ainda determinou o número exato de dias que contém um ano. Para provar que o conhecimento que desenvolvera tinha utilidade prática direta, afirmou que num determinado ano a colheita de azeitonas seria excepcional. E arrendou a maioria das destilarias de azeite de Mileto. Ganhou um bom dinheiro com a operação, apenas para ter o prazer de fazer calar os que diziam ser a Filosofia uma inutilidade ou um capricho de ociosos. Um sofista se aproximou de Tales de Mileto, e intentou confundi-lo com as perguntas mais difíceis. Porém, o sábio de Mileto esteve à altura da prova porque respondeu a todos as perguntas sem a menor vacilação e assim mesmo com a maior exatidão:
1 – Qual é a coisa mais antiga?
- DEUS, porque sempre tem existido.
 
2 – Qual é a coisa mais formosa?
- O UNIVERSO, porque é obra de Deus
 
3 – Qual é a maior de todas as coisas?
- O ESPAÇO, porque contém todo o Criador.
 
4 – Qual é a coisa mais constante?
- A ESPERANÇA, porque permanece no homem depois que haja perdido todo o mais.
 
5 – Qual é a melhor de todas as coisas?
- A VIRTUDE, porque sem ela não existe nada de bom.
 
6 – Qual é a mais rápida de todas as coisas?
- O PENSAMENTO, porque em menos de um minuto pode voar até o final do Universo.
 
7 – Qual é a mais forte de todas as coisas?
- A NECESSIDADE, porque faz com que o homem enfrente todos os perigos da vida.
 
8 – Qual é a mais fácil de todas as coisas?
- Dar conselhos
 
Porém, quando chegou à nona pergunta, nosso Sábio disse um paradoxo. Deu uma resposta que, estou seguro, não foi jamais entendida pelo mundano interlocutor, e que, para a maioria das pessoas, terá um sentido superficial. A pergunta foi esta:
9 – Qual é a mais difícil de todas as coisas? E o Sábio de Mileto replicou: - Conhecer a si mesmo.

O Nosso Infinito

Há ou não um infinito fora de nós? É ou não único, imanente, permanente, esse infinito; necessariamente substancial pois que é infinito, e que, se lhe faltasse a matéria, limitar-se-ia àquilo; necessáriamente inteligente, pois que é infinito, e que, se lhe faltasse a inteligência, acabaria ali? Desperta ou não em nós esse infinito a ideia de essência, ao passo que nós não podemos atribuir a nós mesmos senão a ideia de existência? Por outras palavras, não é ele o Absoluto, cujo relativo somos nós?
 
Ao mesmo tempo que fora de nós há um infinito não há outro dentro de nós? Esses dois infinitos (que horroroso plural!) não se sobrepõem um ao outro? Não é o segundo, por assim dizer, subjacente ao primeiro? Não é o seu espelho, o seu reflexo, o seu eco, um abismo concêntrico a outro abismo? Este segundo infinito não é também inteligente? Não pensa? Não ama? Não tem vontade? Se os dois infinitos são inteligentes, cada um deles tem um princípio volante, há um eu no infinito de cima, do mesmo modo que o há no infinito de baixo. O eu de baixo é a alma; o eu de cima é Deus.
 
Pôr o infinito de baixo em contacto com o infinito de cima, por meio do pensamento, é o que se chama orar.
 
Não tiremos nada ao espírito humano; é mau suprimir. O que devemos é reformar e transformar. Certas faculdades do homem dirigem-se para o Incógnito, o pensamento, a meditação, a oração. O Incógnito é um oceano. Que é a consciência? É a bússola do Incógnito. O pensamento, a meditação, a oração são tudo grandes irradiações misteriosas. Respeitemo-las.
Para onde vão essas majestosas irradiações da alma?
Para a sombra, quer dizer, para a luz.
A grandeza da democracia consiste em não negar, nem renegar nada da humanidade. Ao pé do direito do homem, pelo menos ao lado, há o direito da alma. A lei é esmagar os fanatismos e venerar o infinito.
 
Não nos limitemos a prostrar-nos debaixo da árvore da Criação e a contemplar os seus imensos ramos cheios de astros.
Temos um dever: trabalhar para a alma humana, defender o mistério contra o milagre, adorar o incompreensível e rejeitar o absurdo, não admitindo em coisas inexplicáveis senão o necessário, tornando sã a crença, tirando as superstições de cima da religião, catando as lagartas de Deus.
 
Victor Hugo, em "Os Miseráveis". Fonte: Citador

vaidade e excesso

Depois de nos precavermos contra o frio, a fome e a sede,
tudo mais não passa de vaidade e excesso.
 
Sêneca

Destino

O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo.
O que for o teu desejo, assim será tua vontade.
O que for a tua vontade, assim serão teus atos.
O que forem os teus atos, assim será teu destino.

Brhad Aranyaka Upanishad

Eruditos e Urubus

Meros eruditos são como uma fruta doente que se torna dura e não amadurece. Tal fruta não possui o frescor de uma verde, nem o sabor de uma madura.
 
Os urubus voam muito alto no céu, mas os olhos estão na carniça aqui embaixo.
 
Os intelectuais são considerados sábios, mas encontram-se apegados ao desejo e dinheiro.
Como os urubus, estão à procura de carniça.
 

Pedras

Transforme as pedras que você tropeça nas pedras de sua escada.
 
Sócrates

Refletir

A humanidade - pelo menos em sua maioria - detesta refletir, mesmo em benefício próprio. Magoa-se, como se fora um insulto, ao mais humilde convite para sair por um momento das velhas e batidas veredas e, a seu critério, ingressar num novo caminho para seguir em alguma outra direção.
 
H.P.B. em A Doutrina Secreta

Morte

Não haveria nenhuma possibilidade de chegar a conhecer a morte se ela acontecesse só uma vez. Mas felizmente a vida não é mais que uma contínua dança de nascimento e morte, um bailado de mudanças.
 
Sogyal Rinpoche em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer". Fonte Samsara

Por que as pessoas gritam?

Numa ocasião, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
 
- Mas por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?
Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.
 
E o mestre volta a perguntar: - Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.
 
Então ele esclareceu:
- Você sabe porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?
O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por que? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.
Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
 
Por fim, o pensador conclui dizendo:
- Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.
 
Mahatma Gandhi
 

Todos os dias

Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas.
 
Goethe

Estudos

Não confunda compreensão com um vasto vocabulário. Os escritos sagrados são benéficos para estimular o desejo de realização interna, se um versículo de cada vez for lentamente assimilado. Do contrário, estudos intelectuais contínuos podem resultar em vaidade, satisfação falsa e conhecimento indigesto.
 

Ensinar

Ensinando aos outros, você mesmo aprenderá.
 
G. I. Gurdjieff

tipos

Existem algumas almas maravilhosas e raras neste mundo [sat-purushas], que vivem apenas para os outros e sacrificam tudo pelos outro e, até se esquecem de suas próprias vidas.
 
Existem muitas pessoas comuns [chamados saamaanyas] que ajudam os outros, mas sem esquecer de seu interesse próprio.
 
Existem neste mundo muitos demônios-humanos [maanava-raakshasaas] que torturam os outros para seu auto-interesse.
 
E existem, também, aqueles que sem razão, sem causa, por nada, torturam os outros. Não sei que nome eu posso dar a eles.
 
Bhartrihari
 

Filosofia

Um grão de filosofia dispõe ao ateísmo;
muita filosofia reconduz à religião.
 
Platão

Compaixão

Sem corresponder o corpo, a fala e a mente com o Dharma, de que adianta celebrar ritos religiosos?

Se o ódio não for subjugado pelo seu antídoto, de que adianta celebrar ritos religiosos?

A menos que se medite sobre amar mais aos outros do que a si mesmo, de que adianta dizer, "Ó, pobres seres sencientes!" ?

Milarepa

Desejos

Tendo o mínimo de desejos chega-se mais perto dos deuses.

Sócrates