Notas literárias - H.P. Blavatsky

[Lúcifer, Vol. I, no 1, setembro, 1887, pp. 71-75]

Buddhism in Christendom, or Jesus the Essene (Budismo na Cristandade ou Jesus, o Essênio), de Arthur Lillie etc. Um estranho e um tanto avantajado volume, de caráter presumivelmente científico, escrito por um orientalista amador. Conteúdo: teorias familiares, fundadas em dois nomes sagrados, consagrados pelo tempo, que o autor cultua ora com os enfeites do mexerico moderno, ora com calúnias lançadas sobre seus críticos passados e presentes. Um verdadeiro sarcófago literário que sepulta corpos decaídos de teorias antiquíssimas, ainda que ocasionalmente corretas, embaralhadas em especulações já refutadas.

O volume — título e simbologia — está impregnado da atmosfera da poesia sagrada ligada aos nomes de Gautama, o Buda, e "Jesus, o Essênio". Encontrá-la salpicada de pesadas gotas de maledicência pessoal é como olhar para uma mosca imunda caída em um cálice de vinho comungatório. Podemos apenas nos admirar e nos perguntar: qual será o próximo passo na literatura? Será um novo "Livro Sagrado do Oriente", no qual encontraremos a prova do policial Endacott contra Miss Cass saudada e aceita como fato histórico? Ou seriam as línguas de fogo pentecostais examinadas à luz do último tipo de lâmpada à querosene? Mas um cronista bem-informado, cujo texto tenho à mão, afirma ser o autor de Buddhism in Christendom, or Jesus the Essene um grande médium que se senta todos os dias em busca de desenvolvimento espiritual. Isto explicaria o caráter maravilhosamente misto do conteúdo do referido volume. Deve ser isso, pois está redigido justamente como se fosse uma produção conjunta. Trata-se de uma curiosa mistura de inspirações do "espírito", passagens retiradas concretamente dos relatórios da Sociedade "para a Pesquisa Espectral", como foi apelidada a desorientada entidade pela Saturday Review, desta vez de forma espirituosa, e várias outras insignificâncias difamatórias.

Os "guias espirituais" são proverbialmente vingativos e nem sempre sábios naquilo que exprimem. Um trabalho anterior, do mesmo médium, foi há três ou quatro anos algo dolorosamente destroçado por um verdadeiro erudito sânscrito e budista da Índia — o "Anjo-Espírito" agora ataca seus críticos. O Espectro errante tenta correr frenético entre eles, sem nem mesmo perceber, o pobre, a boa alma, que apenas borra e desfigura com o corrosivo veneno de sua maledicência os dois nobres e sagrados personagens a quem seu autor-médium pretende interpretar antes mesmo de tê-los compreendido... Isto coloca Lúcifer na desagradável obrigação de criticar o pretensioso trabalho por completo em um de seus futuros exemplares.

Como os mesmos erros e disparates ocorrem em Buddhism in Christendom e Early Buddhism (Budismo Antigo), a revista assume como seu dever, muito embora não de todo um prazer, cotejar o volume de 1883 com o de 1887. -------------------------------- Corre o rumor de que A Catechism on Every-Day Life (Catecismo sobre a Vida Diária), de um autor teosófico, está no prelo. Esperemos que não contenha teologia ou dogmas especiais, mas tão-somente conselhos sábios para a vida prática em sua aplicação aos acontecimentos comuns da existência de cada teosofista. Chegou o momento em que o véu da ilusão deve ser retirado por inteiro, e não só como uma brincadeira como até aqui foi feito.

Pois se meros membros da entidade teosófica nada têm a arriscar, exceto, talvez, um ocasional olhar e um sorriso amistoso para aqueles que, sem qualquer necessidade especial, como se acredita, maculam a pureza de sua respeitável sociedade ao juntarem-se a um movimento impopular, os verdadeiros teosofistas devem olhar diretamente no rosto da verdade e dos fatos. Tornar-se um verdadeiro teosofista, isto é, alguém completamente imbuído de sentimentos altruístas, com disposição para esquecer de si e pronto para ajudar seu semelhante a carregar o fardo da vida, é ser instantaneamente transformado em um alvo público. É transformar-se em algo preparado para a pesada "Mrs. Grundy"1 sentar-se em cima: tornar-se objeto de ridículo, difamação e calúnia, que não se detém nem mesmo diante de uma ocasional acusação criminal. Para alguns teosofistas cada passo na direção verdadeiramente teosófica é um empreendimento árduo e desesperançado. Mas, apesar de tudo, as fileiras da sociedade "impopular" crescem sempre, ainda que lentamente. Pois o que de fato importam a difamação e o ridículo?

Quando os tolos foram difamados ou os ricos e influentes condenados ao ostracismo, por mais maculados que sejam seus corações ou suas vidas secretas? Quem já ouviu falar que a vida de um Reformador ou de um orador tenha transcorrido com tranqüilidade? Quem escapou de ser atingido pela lama de seus inimigos? Gautama Buda, o grande Reformador Hindu, foi acusado pelos brâmanes de ser um demônio, cuja forma foi tomada por Vishnu, para estimular os homens a desprezar os Vedas, negar os deuses e promover assim sua própria destruição. "Não dizemos nós bem, que és samaritano e que tens demônio?" (João, 8, 48), disseram os fariseus a Jesus. "Ele desencaminha o povo... (João, 7, 12) apedrejem-no até a morte!".2 "Aquele que ultrapassa ou subjuga a humanidade, Deve desprezar o ódio dos que estão abaixo"3 ,disse o grande poeta inglês. E é imitado em prosa pelo rei dos poetas franceses. Escreve Victor Hugo: Tens inimigos, mas quem não os têm? Guizot tem inimigos, Thiers tem inimigos, Lamartine tem inimigos. Eu próprio não estou brigando há vinte anos? Não fui nos últimos vinte anos injuriado, traído, tapeado, vaiado, escarnecido, insultado, caluniado? Meus livros não foram parodiados e minhas ações distorcidas? Também sou assediado e espionado, também colocam armadilhas para mim, e me fazem cair nelas. Mas o que significa tudo isso para mim? Eu desdenho tudo isso. É uma das coisas mais difíceis, porém necessárias, aprender a desdenhar. O desdém protege e esmaga. É uma armadura e um porrete. Tens inimigos? Pois é a história de todo o homem que tenha feito uma grande ação, criado uma nova idéia. É a nuvem que retumba em torno de tudo o que brilha. Não se aflija com isso. Não dê a seus inimigos a satisfação de pensar que lhe causam qualquer sentimento, seja desdenhoso. (Choses Vues). ------------------------------------------- The Latest Romance of Science (O Mais Recente Romance da Ciência), resenhado por um francês. Se a Teoria Átomo-Mecânica do Universo causou considerável constrangimento a nossos materialistas e fez fracassar algumas de suas acalentadas especulações científicas (ver The Concepts and Theories of Modern Physics - Conceitos e Teorias da Física Moderna, de J. B. Stallo), o leigo não deve ser ingrato com os grandes homens por outros obséquios recebidos por seu intermédio.

Graças ao infatigável trabalho dos mais famosos biólogos e antropólogos da atualidade, o mistério que até aqui ocultava a origem do homem já não existe. Desvaneceu-se em fino ar; graças à atividade da oficina (workshop, em inglês vitoriano) no cérebro de Haeckel ou, como diria um Hilo-Idealista, na vesiculo-neurina de seus gânglios hemisféricos4 — a origem da humanidade deve ser buscada nesta região científica, e em nenhum outro lugar. Lido religiosamente pelos "animalistas" em sua tradução inglesa, na Inglaterra protestante e monárquica, The Pedigree of Man5 é agora saudado com urros de alegria na República Católica Romana Francesa. Recentemente foi feita uma resenha por um sábio francês chamado Topinard. A resenha sobre esta "questão das questões" (como o Sr. Huxley a denominaria), é na verdade mais interessante que o próprio Pedigree of Man. É tão deliciosamente fantástica e original, que é de lamentar que nossos numerosos ancestrais brincalhões dos jardins zoológicos europeus e americanos não pareçam ter a intenção de passar um abaixo-assinado entre si para erigir um monumento perene ao grande Haeckel.

Assim, a ingratidão no homem deve certamente ser um fenômeno de atavismo; outro ponto sugestivo que se soma às provas da descendência do homem do ingrato e insensível, além de destituído de cauda, babuíno pitecóide. Disse o erudito Topinard: No início do que os geólogos chamam de período laurenciano na Terra, e da fortuita união de certos elementos de carbono, oxigênio, hidrogênio e nitrogênio, sob condições que provavelmente ocorreram apenas naquela época, formaram-se os primeiros coágulos albuminóides. A partir deles, e por geração espontânea6, surgiram as primeiras células ou massas clivadas. Estas células, então, subdividiram-se e multiplicaram-se, organizando-se na forma de órgãos. Após uma série de transformações, fixadas pelo Sr. Haeckel como nove em número, originaram-se certos vertebrados do gênero Amphioxux lanceolatus.

A divisão em sexos ocorreu, a medula espinhal e a chorda dorsalis tornaram-se visíveis. No décimo estágio, surgiram o cérebro e o crânio, como na lampreia; no décimo primeiro, desenvolveram-se os membros e a mandíbula... a terra encontrava-se então apenas no período siluriano. No décimo sexto, cessou a adaptação à vida terrestre. No décimo sétimo, que corresponde à fase jurássica da história do globo, a genealogia do homem chega até o canguru entre os marsupiais. Na décima oitava, ele se torna um lemuriano; inicia-se o período terciário. No décimo nono, ele se torna um catarrino, isto é, um macaco com cauda, um piteco. No vigésimo, torna-se um antropóide, continuando assim ao longo de toda a época miocena. No vigésimo primeiro, torna-se um homem-macaco, não possui linguagem, nem, em conseqüência, o correspondente cérebro. Finalmente, no vigésimo segundo, surge o homem... em seus tipos inferiores.7 Feliz e privilegiado homem! Infeliz babuíno, abandonado pela evolução!

A ciência não nos conta o segredo por que, enquanto o homem teve tempo em abundância para se tornar, digamos, um Platão, um Newton, um Napoleão, ou até um Haeckel, seu pobre ancestral deveria ser impedido em seu crescimento e desenvolvimento. Pois, até onde se sabe, a traseira de um cinocéfalo parece tão azul e calosa hoje quanto durante o reinado de Psamético ou Queóps; o macaco deve ter feito caretas para Plínio há dezoito séculos, como faz agora para um darwiniano. Podem alegar que no enorme período de tempo que transcorreu desde o início da evolução, 2.000 ou até 10.000 anos significam muito pouco. Mas então, nem mesmo o monere se encontra em melhor situação levando em conta os milhões de anos transcorridos. No entanto, entre o gelatinoso e pensativo eremita das profundezas salgadas e o homem, deve ter transcorrido tempo mais do que suficiente para alguma insignificante transformação. Esta criatura protoplasmática primordial, entretanto, parece não ter feito progresso nas mãos da evolução, que parece tê-la praticamente esquecido. A estas alturas, poderíamos supor que esse nosso ancestral do estágio um deveria ter alcançado, no mínimo, um desenvolvimento superior; ter-se tornado, por exemplo, o anfíbio "sozura" do "décimo quarto estágio" tão minuciosa e cientificamente descrito pelo Sr. Haeckel e do qual Quatrefages com grande perversidade afirma em The Human Species (p. 108),8 que ele (o sozura) "é igualmente desconhecido da ciência". Mas vemos exatamente o inverso. O pequenino de corpo tão frágil permaneceu apenas um monere até este momento; tanto assim que o Sr. Huxley, fisgando-o das profundezas abissais do oceano, teve compaixão dele, e deu-lhe um pai. Ele batizou nosso arcaico ancestral e o denominou Bathybius Haeckelii... Mas todos estes mistérios, sem dúvida, serão facilmente explicados de forma plenamente satisfatória pela ciência, por algum biólogo com o poder mental de Haeckel.

Pois, como todos sabem, nenhum feito acrobático do mais veloz dos chimpanzés, como saltar do topo de uma árvore para outro, poderá jamais se aproximar, que dirá igualar-se, às rápidas evoluções da fantasia de sua "oficina" cerebral, sempre que Haeckel é chamado a explicar o inexplicável... Há algo de menor importância, entretanto, que parece ter recebido o melhor até mesmo de sua capacidade de se sair de um dilema científico, que é o décimo oitavo estágio de sua genealogia em The Pedigree of Man. A evolução do homem do monere, vulgo Bathybius Haeckelii, até o homem com cauda e depois sem causa, passa pelos marsupiais: o canguru, o sarigüê etc. Assim ele escreve: Estágio décimo oitavo. Prossímios, aliados aos lóris (Stenops) e aos Makis (lêmures), sem os ossos e a cloaca dos marsupiais, com placenta.9 Ora, talvez seja interessante para o leigo e inocente saber que não existe um prossímio com placenta na natureza. Isto é, em resumo, outra invenção do famoso evolucionista alemão, resultado de seu próprio cérebro. Pois, Quatrefages apontou há vários anos que: ...as investigações anatômicas de MM. Alphonse Milne-Edwards e Grandidier... afirmam sem sombra de dúvida que os prossímios de Haeckel não possuem placenta decídua e difusa. São indeciduados.

Longe de qualquer possibilidade de serem ancestrais dos macacos, segundo o princípio estabelecido pelo próprio Haeckel, eles não podem nem mesmo ser considerados ancestrais dos mamíferos zonoplacentários, os carnívoros por exemplo, e devem ser associados aos paquidermes, edentados e cetáceos.10 Mas, como mostra o grande sábio francês, "Haeckel sem a menor hesitação adiciona o seu prossímio" aos demais grupos em The Pedigree of Man, e "atribui a ele a placenta decídua e discóide".11 Deve o mundo dos demasiadamente crédulos e inocentes outra vez aceitar pela fé estas duas criaturas desconhecidas da Ciência ou do homem tão-somente porque "a prova de sua existência surge da necessidade de um tipo intermediário"? Esta necessidade, entretanto, sendo válida apenas para o maior sucesso de seu inventor, Haeckel, este Homero Símio não deve nos levar a mal por não hesitarmos em chamar sua "genealogia" do homem de romance da Ciência do tipo mais fantástico. Há algo, porém, muito sugestivo nesta especulação. A descoberta da ausência da necessária placenta no assim chamado prossímio já completou vários anos. Haeckel sabe disso, naturalmente. Também o sabe o Sr. Ed. B. Aveling, Doutor em Ciência, seu tradutor. Por que permitiram que o erro continuasse sem ser corrigido e nem mesmo apontado na tradução inglesa de The Pedigree of Man, de 1883? Será que os "membros da Biblioteca Internacional de Ciência e Livre Pensamento" temem perder alguns admiradores de Haeckel se souberem da verdade?

Não obstante, o trabalho científico de Haeckel, The Pedigree of Man, deve despertar e instigar à ação o espírito do empreendimento privado. Que cenas feéricas não poderiam ser representadas, inspiradas nele, no palco de um teatro! Um corpo de baile, composto de répteis antediluvianos e lagartos gigantes, gradualmente, cena após cena, metamorfoseando-se em cangurus, lemuróides, macacos sem cauda e babuínos antropóides e, finalmente, em um coro de biólogos alemães! Esta cena feérica transformaria The Black Crook12 e Alice no País das Maravilhas em meros folhetins. Um diretor inteligente, animado pelo lucro, faria fortuna se simplesmente seguisse o divertido pensamento. Nota bene: A sugestão tem direitos autorais. --------------------------------------------- The Book of Life (O Livro da Vida), de Sidarta (também) Vonisa; suas descobertas de "6215 a 6240, Anno Mundi". Um híbrido entre um octavo e um duodecimo. Este volume, pelo que podemos ver, é altamente apreciado pelo clero, para quem, nestes dias apáticos, marcados pela infidelidade, até mesmo pequenos favores parecem ser recebidos com gratidão. O autor (nome profano desconhecido) sugere, quando não afirma abertamente, ser uma reencarnação de Gautama Buda, ou Sidarta, bem como de alguns outros personagens históricos não menos proeminentes.

O trabalho é uma manobra inteligente entre os bancos de areia da ciência e da teologia. Um cuidadoso acordo entre ambas é arquitetado, de modo que a ciência ignore as abundantes concessões aos deuses da teologia, como ocorre, por exemplo, a cronologia bíblica. A idade do mundo é admitida em 6.240 anos, a partir de Adão, "setecentos anos após as raças negras e pardas terem sido criadas" (p. 53, "Cronologia"); a data da incrustação da terra e do globo é deixada à imaginação do leitor. Uma tabela cronológica dos principais eventos históricos do mundo é publicada nas páginas 53-56. Entre os eventos está o nascimento de Moisés, fixado em 1.572 a.C. Os Vedas são apresentados como compilados na Índia e os poemas de Homero, na Grécia, em "cerca de 1.200 a.C.". Sidarta ou Gautama estabeleceu o budismo na Índia "a partir de 808 até 726" a.C. Por último, mas não menos importante, entre as épocas do mundo e sinais divinos dos tempos, ocorre o eternamente memorável evento de 31 de março de 1885, a saber, The Book of Life, de Vonisa foi completamente terminado", e encerra a lista. O leitor é notificado, além disso, na linha que começa em 6240 A.M. (Anno Mundi), que o ano 1884 E.C. (Era Cristã) é o "começo da era messiânica e o final da era cristã", o que pode explicar o aparecimento e a publicação no ano seguinte do volume original que ora criticamos.

O novo Messias declara que "embora muito do trabalho consista de descobertas originais feitas pelo autor, ainda assim o leitor encontrará no Índice Analítico algumas centenas de referências que podem ser atribuídas a autoridades eminentes consultadas em sua preparação". Entre estas, parece, devem constar alguns trabalhos teosóficos, uma vez que se afirma em The Book of Life que: (a) "Sete grandes forças foram envolvidas nestes vastos movimentos do início da criação". (b) "Sete Idades da Terra". (c) "Vayomer Elohim" traduzido "segundo as leis da língua hebraica", significa "sete forças foram usadas como tríplices fatores" e (d) "Os primeiros seres humanos eram espíritos encarnados" (pp. 26-27). As quatro frases acima contam com a aprovação da teosofia. Se a afirmação que se segue, a saber, que "o trabalho de encarnação [dos espíritos] ocorreu segundo a lei" e é "a hipótese mais clara que a ciência tem a oferecer no que concerne à origem do homem", contará com a mesma aprovação dos Senhores Huxley, Haeckel e Fiske, da "Teoria Átomo-Mecância", é muito duvidoso.

Nem é tão certo que o departamento Etnológico da Agência Anglo-Indiana de Estatística esteja preparado para alterar os dados de seu censo de acordo com a declaração de Sidarta na página 29, de que: "Um ramo da raça parda era o Dravidiano, que ainda se encontra no mesmo lugar na Índia Setentrional" [?!] Um novo livro, com o título Spirit Revealed (Espírito Revelado), está quase pronto para o prelo. É descrito como um trabalho extraordinário. Seu autor é William C. Eldon Serjeant, M.S.T., autor de artigos como "Vindoura Reforma", "Centelhas do Mundo do Fogo" etc. etc. O trabalho alega "explicar a Natureza da Deidade e discutir Suas manifestações em cada plano da existência, e mostrar a forma de Cristo, cuja segunda vinda é esperada por cristãos, além de proclamar o advento do Messias segundo a crença dos judeus". "Muitos temas envolvendo questões de considerável obscuridade com relação à Deidade, às Escrituras, ao homem, aos animais e às coisas em geral são tratados de forma abrangente e explicados de acordo com a Palavra do Espírito apresentada em várias épocas por meio dos filhos dos homens". ---------------------------------------------- Proceedings of the Society for Psychical Research (Anais da Sociedade para a Pesquisa Psíquica): estes relatórios apresentados ad libitum, sem qualquer data definida, não podem ser considerados periódicos. Dependendo para sua circulação, principalmente do resultado do que os leitores oferecem como bona fide psíquica e exposés espiritualísticas — as quais o público aceita como a mais generosa propaganda das pessoas assim atacadas — esta publicação ocupa uma posição inteiramente sui generis.

Os Proceedings oferecem ao público um manual muito útil, algo entre texto e guia, com instruções práticas de política diplomática no domínio do Psíquico, na forma de cartas científicas e informações de detetives particulares. Os sensitivos discernem nos Proceedings (por impacto telepático) o espírito maquiavélico do Bismarck aristocrático, temperado por uma aura fortemente impregnada de perfumes plebeus de mouchards (policiais espiões) honestos cumprindo com a obrigação, mas nesse caso eles são, talvez, preconceituosos. Por outro lado, alguns membros russos da SPR com inclinação espiritual afirmam que os Proceedings lembram-lhes dos Anais da felizmente defunta Terceira Seção da Polícia de São Petersburgo. Assim, no final das contas, não poderiam os "guias" tutelares da erudita associação dos Psíquicos Britânicos vir a ser os espíritos finados dos gendarmes russos? Vez por outra, quando os campos de caça desta entidade erudita propiciam uma perseguição especialmente bem-sucedida — de descobertas ilusórias — um Suplemento é acrescentado aos Proceedings, cuja magnitude é inversamente proporcional às luzes de seu conteúdo, oferecido em geral como um prêmio ao materialismo. Daí os Proceedings poderem ser melhor descritos como registros flutuantes e ocasionais de uma sociedade propensa a desmentir seu próprio nome.

Pois pesquisa "Psíquica" é certamente uma denominação imprópria, além de ser uma ilusão e uma armadilha para o incauto. Lúcifer sugeriria como título mais verdadeiro "Sociedade da Pesquisa Hilo-Pseusmatica". Isto daria à SPR a vantagem de uma ligação aberta com o incomparável "Hilo-Idealismo"13 — e a capacitaria a velejar com suas verdadeiras cores. Seja o conselho de Lúcifer aceito ou não, a profunda filosofia dos fenômenos batizados de "telepatia" e impacto telepático pode ser estudada apenas cientificamente em nossos espasmódicos dias. Este novo estrangeiro grego é a obra mais perfeita dos Padres Psíquicos de nosso século. É seu "primeiro" e "único" rebento, e é uma descoberta genuína até onde vai seu nome helênico. Pois, despojado de seu apelido grego, torna-se como a América. O gênio que descobriu o fenômeno é como Colombo, a quem os escandinavos e até os chineses anteciparam-se séculos antes. Este fenômeno parece novo apenas quando disfarçado sob um nome solene e científico — porque é incompreensível ao leigo comum. Sua descrição em termos simples — como transferência de pensamento ou sensação à distância — jamais poderia ter o mesmo halo de erudição clássica. Não obstante, os Proceedings com os dois gigantescos volumes adicionais do "Leviatã" psíquico, chamados Phantasms of the Living (Fantasmas dos Vivos), são fortemente recomendados aos inválidos. São inestimáveis em casos de obstinada insônia, como o melhor sonífero conhecido. Instruções: O leitor deve ter o cuidado de não riscar um fósforo muito perto de tais palavras. "O Adversário" ------------------------------- Notas:

1.[Mrs. Grundy — Sobrenome de um personagem imaginário que proverbialmente é referido como a personificação da tirania da opinião pública em matéria de propriedade convencional. Expressa a atitude daqueles que consideram a desaprovação da sociedade como o pior dos males. OED — N. da T.].

2. Esta passagem, no original: "Stone him to death!", não foi encontrada na Bíblia. (N.T.)

3. [Pilgrimage, Childe Harold, Canto III, 45 — Compilador].

4. Dr. Lewins, o Hilo-Idealista, em seu apêndice a What is Religion? A Vindication of Freethought, de C.N. [Constance Naden]: The Brain Theory of Mind and Matter, the Creed of Physics, Physics and Philosophy. W. Stewart et alli.

5. [The Pedigree of Man; and Other Essays... Traduzido do alemão por E.B. Aveling, 1883. International Library of Sciences and Freethought. Vol. 6 — Compilador].

6. Observe bem: quando um teosofista ou ocultista fala de "geração espontânea" — pois para ele não existe matéria inorgânica no Cosmos — ele é imediatamente considerado um ignorante. Para provar a descendência do homem do animal, entretanto, até mesmo a geração espontânea da matéria morta ou inorgânica torna-se um axioma e fato científico.

7. [Não foi possível averiguar de que trabalho particular de Paul Topinard esta passagem foi extraída. "The Last Romance of Science" aparentemente é apenas um título descritivo usado por H.P.B. e não identifica de fato o trabalho de onde foi extraída a citação. Vide Bio-Bibl. Index, s.v. Topinard. — Compilador].

8. [Nova York: D. Appleton & Co., 1879; 2a ed., Londres: Paul & Co., 1881. Tradução inglesa da obra em francês, L'Espèce humaine, de Jean L. A. de Quatrefages de Bréau, 3a ed., Paris: G. Baillière et alli., 1877. — Compilador].

9. The Pedigree of Man and other Essays, p. 77.

10. The Human Species, p. 110.

11. Op. cit., p. 109.

12. [Uma opereta espetacular, de Chas. M. Barra, música de T. Baller, produzida pela primeira vez em 1886 e freqüentemente reapresentada. — Compilador].

13. ulh, "matéria, no sentido em que é oposta à mente"; portanto Material-Idealismo — uma contradição em termos exatamente como o nome "Psíquico" e o trabalho completamente "anti-psíquico" da referida Sociedade. Pseusma deve substituir Psique, uma vez que busca fraudes e não ações da alma.

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