Uma Meditação Tibetana

As Três Sílabas Adamantinas e as Luzes
Tulku Pema Wangyal Rinpoché

Depois da concentração sobre a respiração, manda a tradição que se concentre sobre as luzes de cor e das sílabas sagradas a fim de desenvolver os diferentes aspectos da sabedoria. Entre todas as cores, retemos cinco: o branco, o vermelho, o azul, o amarelo e o verde. Cada uma delas produz efeitos diferentes sobre os centros e os órgãos do corpo, que por sua vez estão em correspondência com os elementos e as energias.

Da mesma maneira os sons Om Ah Hung Svâhâ agem sobre os chakras e sobre as emoções perturbadoras que lhes estão ligadas. Na prática quotidiana, contentamo-nos em utilizar as três cores principais: o branco, o vermelho e o azul, e as três sílabas Om Ah Hung.

Sentados, o corpo ao mesmo tempo direito e livre de toda a tensão, imaginem no espaço à vossa frente um disco luminoso branco, tal como uma lua radiosa e tranquila que se levanta no horizonte. Pensem que esta fonte luminosa contém as bênçãos do corpo, da palavra e do espírito de todos os seres despertos, e se expande em inumeráveis raios irisados.

Se quiserem aguçar as vossas faculdades de concentração, imaginem que o círculo cresce até encher o espaço todo e depois de reduz a um ponto minúsculo de intensa luz branca.

Podem experimentar visualizar perante vós a forma luminosa, limpa e transparente de um ser perfeitamente iluminado. Da sua testa, da sua garganta e do seu coração partem alternadamente e depois ao mesmo tempo, brilhantes luzes brancas, vermelhas e azuis que são absorvidos pelos vossos três centros. A luz branca, que penetra pela testa, inunda o vosso corpo, desfaz as energias boqueadas e restabelece o equilíbrio. Ligeiro e livre, um profundo bem-estar invade-vos. Os raios de luz vermelha brilham na garganta do ser desperto e vêm dissolver-se na vossa garganta. Eles purificam os bloqueios e acalmam os desequilíbrios ligados à fala. Depois, emanando do seu coração, uma luz azul vem encher o vosso coração.; essa luz dissolve todos os vossos bloqueios, medos e angústias. A paz estabelece-se em vós.

Durante toda esta visualização, recitem em silêncio ou em voz alta as sílabas do mantra (5) Om Ah Hung tantas vezes quanto possível. O som Om ressoa naturalmente no centro da fronte, o som Ah no centro da garganta e o som Hung no centro do coração.

Em resposta à infinita variedade de situações, os seres despertos transmitiram inúmeros mantras. As três sílabas Om Ah Hung são alternadamente a fonte e a essência desses mantras. Capazes de desfazer os bloqueios e de transformar as emoções perturbadoras ficando inalteráveis, chamamo-las as três sílabas adamantinas, por analogia com a pedra preciosa e indestrutível que é o diamante.

As práticas que utilizam estas três sílabas são múltiplas. A luz branca está geralmente relacionada com a sílaba Om, a vermelha com a sílaba A e a azul com a sílaba Hung. Podemos utilizar as três sílabas uma a seguir a outra ou em conjunto, mantendo sempre a concentração no disco luminoso. Podemos ainda associá-las aos três movimentos da respiração: Om à inspiração, Ah durante um ligeiro tempo de retenção, Hung à expiração.

Aqueles que quiserem tratar ou curar os outros podem praticar todos os dias a visualização de luzes recitando longamente as três sílabas. Com efeito, trazer uma ajuda eficaz requer muita força e energia. Cultivamo-las recorrendo a esta técnica experimentada que consiste em receber as bênçãos dos seres despertos e em avivar a essência subtil dos elementos; reter o ar e regenerar os elementos internos com A; e expirar com Hung enviando a luz em direcção àqueles a quem procuramos ajudar.

Estas técnicas de meditação sobre um ponto luminoso ou sobre as luzes associadas às sílabas têm variadas aplicações. Quando a prática se relaciona com o corpo, utiliza-se a luz branca. Se queremos antes agir sobre a palavra e a circulação das energias, visualizamos uma cor vermelha como um sol nascente. A cor azul está mais ligada ao espírito.

As cinco cores são utilizadas para purificar e dissolver os bloqueios que provocam os cinco venenos ou emoções perturbadoras. O branco age sobre a agressividade, o vermelho sobre o apego, o azul sobre a ignorância, o amarelo sobre o orgulho e o verde sobre a inveja.

Logo que aplicadas às actividades, cada cor tem a sua função. O branco pacifica e purifica; o amarelo aumenta (a energia vital, por exemplo); o vermelho controla as forças; o verde estimula a actividade; o azul traz equilíbrio e harmonia.

Visualizar regularmente as sílabas com as suas cores respectivas faz florescer as capacidades auto-curativas: os nós formados nos canais subtis pelos bloqueios de energia desfazem-se e a atenção aos outros aumenta. Isto melhora no princípio a comunicação e, no fim, desenvolve a capacidade de apaziguar e curar o próximo.

As luzes e o mantra têm também uma virtude purificadora, pois eles agem em profundidade para desbloquear e reequilibrar corpo, palavra e espírito. Eles constituem suplementarmente uma protecção muito eficaz contra as substâncias tóxicas. Esta técnica tem ainda outras aplicações, muito numerosas. Um exemplo: temos muito calor? Imaginamos rios de luz refrescante. Temos frio? A luz torna-se num raio de calor agradável que enche o corpo de bem-estar.

No momento de concluir a sessão e de oferecer os méritos, podemos hesitar: mesmo em ausência de toda a distracção, os conflitos interiores podem ter perturbado o curso da meditação. É bem preferível que esta seja harmoniosa. Entretanto, se ela não o foi, o tempo e a energia que a ela foram consagrados guardam sempre o seu valor e merecem ser dedicados. A dedicatória dos méritos preserva as virtudes de uma sessão; eles propagam-se indefinidamente.

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